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Seu aluno precisa realmente treinar até a falha?

Treinar até a falha é necessário para todos? Uma reflexão sobre força, qualidade técnica e repetições em reserva na programação para a população geral.

Treinamento de forçaTreinamento funcionalProgramação
Homem executando um afundo com kettlebells em uma academia.

Em muitas academias, uma série parece só terminar quando o aluno não consegue fazer mais nenhuma repetição. Se ele terminou a série e ainda conseguiria fazer mais duas ou três, fica aquela sensação de que faltou alguma coisa. Mas será que todo aluno precisa treinar até a falha para ter resultado?

Essa pergunta é especialmente importante quando pensamos em quem realmente atendemos. A maior parte dos nossos alunos não são fisiculturistas. São pessoas que treinam duas ou três vezes por semana, querem melhorar a estética, ficar mais fortes, diminuir dores, ter mais disposição e envelhecer mantendo independência. Muitas vezes, tudo isso ao mesmo tempo.

É aqui que precisamos diferenciar estratégia de objetivo.

Na musculação tradicional, principalmente quando o objetivo está muito direcionado para hipertrofia, aproximar uma série da falha pode ser uma estratégia perfeitamente válida. O problema aparece quando esse raciocínio é transferido automaticamente para qualquer exercício, qualquer aluno e qualquer momento do processo de treinamento.

No Sistema BASE, nossa lógica parte de outro ponto. A força é uma das bases do treinamento, e grande parte do trabalho é realizada com exercícios livres e multiarticulares. Agachamentos, levantamentos terra, empurradas, puxadas e suas variações exigem produção de força, mas também exigem coordenação, estabilidade e manutenção da qualidade técnica.

Homem executando um afundo com kettlebells em uma academia.

Quando levamos constantemente esses exercícios até a falha, a pergunta não deveria ser apenas quanto estímulo muscular conseguimos produzir. Precisamos considerar também o custo daquela série e se esse custo é necessário para o objetivo daquele aluno.

É justamente aí que utilizamos muito o conceito de RIR, Repetições em Reserva. Se o aluno realiza 8 repetições e conseguiria executar mais duas mantendo a mesma qualidade, temos aproximadamente 2 RIR. A série foi exigente, houve sobrecarga, mas não foi necessário levá-la até a incapacidade muscular temporária.

Isso não significa que somos contra o treinamento até a falha. Para hipertrofia, principalmente em indivíduos mais treinados e em exercícios nos quais o custo técnico é menor, trabalhar próximo ou eventualmente até a falha pode fazer parte da programação. O próprio material que utilizamos no Sistema BASE trata a falha como uma ferramenta que pode ser utilizada estrategicamente, e não como uma regra para todas as séries.

Então, qual é a resposta prática?

Para a população geral, eu não utilizo a falha como referência principal para determinar se uma série foi eficiente. Primeiro busco qualidade técnica, progressão de carga, consistência e desenvolvimento de força. Conforme o aluno evolui e seus objetivos se tornam mais específicos, posso aproximar determinadas séries da falha quando houver uma razão para isso.

A questão não é escolher entre “treinar até a falha” ou “nunca treinar até a falha”.

A questão é saber por que levar aquele aluno, naquele exercício e naquele momento, até a falha.

Se não existe uma boa resposta para isso, ou a resposta é porque todo mundo faz assim, provavelmente não existe motivo para fazê-lo.

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